quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pur week-end




2007
Comédia
90 minutos
Olivier Doran (realização)
Philippe Lefebvre (guião)

“Ceci n’est pas une week-end a Disneyland!”
Fred

Não conhecia, nunca tinha ouvido falar, nem tinha grande interesse em ver o filme, contudo vi-o na mesma. Estava a começar num dos Tvcines da tv cabo, tendo-me chamado a atenção pela sinopse e pela música que passava, uma boa música americana utilizada sem problemas num filme francês.
O filme de Doran centra-se totalmente num grupo heterogéneo de personagens, que se juntam há 20 anos sempre pela mesma altura. Eram jovens que viajam para uma colónia de férias, orientados pelos dois adultos responsáveis, Fred (Kad Merad) e Véro (Valérie Benguigui). Uma das viagens foi marcada por um acidente, o que os aproximou de forma singular, não evitando as diferenças, inevitáveis, entre ambos com o decorrer do tempo. David (Arnaud Henriet) que se encontra preso, sai em precária para poder estar com os amigos, os amigos só não sabem que ele aproveitou a precária, para fugir da prisão; tendo um perigoso criminoso fugido ao mesmo tempo.
As peripécias vão-se sucedendo à medida que o grupo, enquanto grupo, toma as mais variadas e incorrectas decisões. A polícia persegue-os, o perigoso criminoso encontra-os e as memórias relembram-se. O filme vai sendo pontuado com flashbacks da viagem acidentada, mas essas recordações nunca ajudam a clarificar e a conhecer melhor as personagens, o que é pena. Apenas aparecem como forma de se perceber que o que os liga não é só a viagem, mas o caminho até aos seus destinos.
Nota muito positiva para a banda-sonora, muito rica e eclética, acompanhando os diversos momentos da acção da melhor maneira, isto é, ajudando no setting da atmosfera e do ambiente, sem nunca o atropelar. Também os cenários são deslumbrantes, desde a floresta, às altas montanhas, às encostas escarpadas e aos riachos gelados, os diferentes cenários são uma grande (senão a maior) mais-valia.
Enquanto comédia há momentos de puro gozo e divertimento, mas nunca se chega a perceber qual a real intenção, já que este caricato road movie tinha tudo para ser repleto de momentos e diálogos hilariantes, mas nunca chega a passar disso mesmo, de momentos pontuais, ficando o espectador sem perceber realmente se é assumidamente uma comédia ou não.
É o primeiro filme francês a entrar no aminhacinefilia e de certeza não será o último.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Cruel Intentions



1999
Drama
97 minutos
Roger Kumble (realização e guião)


"I'm sick of sleeping with these insipid Manhattan debutantes. Nothing shocks them anymore."

Sebastian

Custa imaginar que o filme de Roger Kumble já tem dez anos, ou melhor, que já passaram dez anos desde que o filme foi visto pela primeira vez.
Cruel Intentions é baseado no livro Les Liaisons Dangereus de Choderlos de Laclos, mas foi em tudo inovador, já que ao invés de mostrar uma alta sociedade de bons costumes e valores vincados, representação muito típica das novelas, das soap operas, e de Hollywood em geral, centrou todas as suas atenções nos jovens Sebastian (Ryan Phillippe) e Kathryn (Sarah Michelle Gellar), produtos de uma alta sociedade cosmopolita Nova Iorquina, que se divertem com os seus jogos e esquemas, onde o sexo e as drogas (estas em menos evidência) ditam as regras.
Quando a jovem Annette (Reese Whiterspoon), uma defensora do sexo apenas após o casamento, se muda para a cidade, Sebastian e Kathryn colocam em campo uma aposta na qual Sebastian terá como objectivo desvirtuar a jovem, sendo que em troca poderá satisfazer as suas fantasias com Kathryn. O filme conta com elenco repleto de teen stars dos anos noventa, o que ajuda na caracterização de uma sociedade adolescente que procura a diversão através de comportamentos miméticos retirados de um mundo de adultos que os contorna e os tenta num dia-a-dia, onde tudo lhes é presenteado e nada é conquistado. Transformando-se então essas conquistas em conquistas físicas, conquistas sexuais. Sebastian é um vilão encantador que prova ter um soft spot, no entanto mesmo no final, o olhar presente na sua foto fúnebre, é um olhar repleto de intenção, vitorioso e maquiavélico, talvez o soft spot tenha sido apenas uma fraqueza momentânea.
Paralelamente à aposta pela virtude de Anette, Kathryn toma sobre a sua “proteção” Cecile (Selma Blair), uma jovem debutante que a mãe espera que se consiga tornar uma senhora. Contudo, Kathryn pretende o contrário, pretende fazer de Cecile “the premiere tramp of the New York area”. Selma Blair é um contraponto excelente ao que a rodeia, jovem e inocente, despreocupada e inexperiente, será arrastada para o mundo das traições, jogos e manipulações, sendo que pelo caminho proporciona um dos bons momentos do filme.



Cecille e Kathryn num beijo que deu que falar.




O beijo valeu o galardão MTV de 2000 na categoria de Best Kiss.



A repetirem o momento, menos acanhadas do que em palco.

Trata-se de um filme onde a fronteira entre goodevil se misturam vastas vezes, há quem prefira aceitar que no fim o Bem/good tem capacidade para triunfar e que o sacrifício de Sebastien o redime dos seus actos. Eu prefiro ver tudo como um grande plano de Sebastian, onde conseguiu tudo a que se propôs, jogando as peças à sua maneira, corrompendo Annette da pior/melhor maneira que poderia ter feito… tornou-a igual a ele.

domingo, 8 de novembro de 2009

Step Brothers




2008
Comédia
98 minutos
Adam McKay (realização e guião)
Will Ferrell (guião)

"I swear, I'm so pissed off at my mom. As soon as she's of age, I'm putting her in a home."


Brennan Huff


O poster do filme, praticamente, cria todo o setup da película. O primeiro sorriso surge logo ao olhar para este cartaz ao melhor estilo “retrato de família”.
Adam McKay já colaborou anteriormente com Will Ferrell, em comédias como Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby (2006) e Anchorman: The Legend of Ron Burgundy (2004), tendo essas colaborações ficado marcadas por comédias hilariantes, mesmo que nem sempre sejam do agrado de todo o público.
Em Step Brothers a dupla McKay/Ferrell ganha um aliado de peso, um dos melhores actores da sua geração que tem vindo a apostar cada vez mais na comédia, um terreno onde parece enquadrar-se na perfeição. Falo de John C. Reilly (completou a tripla, Mckay/Ferrell/Reilly no filme Talladega Nights) que até já foi falado aqui no aminhacinefilia. O elenco contra com outros nomes conhecidos, mas são Reilly e Ferrell quem tomam conta de todo o filme.
As personagens interpretadas por Ferrell e Reilly são man childs, trintões/quarentões que ainda vivem com a mãe e com o pai, respectivamente. Quando os progenitores de ambos se apaixonam e decidem morar juntos, os “jovens” adultos têm de partilhar a sua existência, repartindo a atenção que até então era exclusiva. De notar a linha comum em grande parte das comédias americanas mais recentes, onde o conflito e a separação apenas servem para o precipitar de um final harmonioso e feliz.
A interacção entre os dois actores é brilhante e todas as situações criadas roçam o riso descontrolado, seja as entrevistas de emprego em conjunto, seja os ataques de sonambulismo, passando pelo videoclip denominado Boats ‘N Hoes. Reilly e Ferrell conseguem ser crianças hiperactivas, adolescentes em fase de descoberta, assim como adultos irresponsáveis, tudo num punhado de cenas.
Ficamos com vontade de ver estes dois actores em todas as comédias possíveis, e sinceramente, todas as comédias em que só aparece um deles, vai parecer sempre, mesmo que inconscientemente, que há algo a faltar.
*Aproveitem para ver o clip Boats ‘N Hoes da autoria de Muff ‘N Doback (Ferrell e Reilly), assim como os bloppers ocorridos durante as filmagens, estão ambos disponíveis no youtube, e são ambos de ir às lágrimas. Se não conseguirem achar piada nenhuma… é sinal que o vosso sentido de humor anda pelas ruas da amargura.



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Who the #$&% Is Jackson Pollock?




2006
Documentário
74 minutos
Harry Moses (realização)


"Most of the fairy tales begin with “Once Upon a Time”. Most of the truck drivers stories begin with “You are not going to believe this”."

Teri Horton


Será possível existirem peças de arte perdidas pela mundo? Será possível que ninguém saiba que alguma vez existiram? Talvez.
 Este documentário segue o périplo de Teri Horton, uma camionista septuagenária que compra numa loja de coisas em segunda mão, uma tela por 5 dólares. Quando lhe sugerem que essa tela poderá ser um original de Jackson Pollock, Teri inicia uma caminhada monumental na tentativa de provar a autenticidade do quadro.
O mundo da arte é aqui visto pelo que realmente é, um mundo de interesses e de prepotência, onde um conjunto de “experts” se considera detentor da verdade, não admitindo que contradigam a sua opinião, e refutando mesmo a mais moderna ciência forense. O facto de a proveniência do quadro não ser determinada, e o facto de não se encontrar assinado por Pollock descredebilizam o quadro, para não falar de apenas ter custado os já citados 5 dólares. O que é certo é que Teri recebe, inicialmente, uma proposta de 2 milhões de dólares e, posteriormente, uma proposta de 9 milhões, sendo que recusa ambas. A energia de Teri é contagiante, tendo uma história de vida interessantíssima, que em tudo ajudada a colorir todo o contexto de procura de respostas em que esta se vai envolver. Como ela própria diz, trata-se de uma questão de princípio saber se o quadro é verdadeiro.


O quadro de Teri.

O realizador procura mostrar bem o antagonismo existente entre classes, numa tentativa de realçar as assimetrias que existem entre aqueles que se julgam senhores da verdade, e entre o americano comum, uma pessoa de causas que não se poupa a esforços para conseguir provar os seus intentos. É notório que o mundo da arte é em tudo um meio fechado, onde se vive das aparências e das intenções, como fica visível através do contributo de Tom Volpe, que se tornou especialista em vender quadros a preços exorbitantes, apenas porque falsificava a sua proveniência. Aliás, é assumido pelos especialistas que falsificação de documentos é comum, além de ser facílima de se realizar, ou seja, estamos perante um universo onde tudo pode parecer e não ser, ou ser e não se querer que seja.
A voice-over que acompanha a história peca por nunca se afirmar, conferindo um tom de reportagem a um documentário bem interessante, que teria tudo a ganhar se ao menos tivesse uma voz mais expressiva a liderar os rumos da história.
No final não interessa saber se o quadro é verdadeiro ou não. O facto de se tratar de um dos artistas mais importantes do século XX (durante o filme um amigo de Pollock diz mesmo que o pintor foi melhor que Picasso) e de trazer o seu nome de novo para os espaços públicos, é recompensa suficiente. Imaginar que Pollock continua a ser um ilustre desconhecido para maior parte dos seus conterrâneos é algo de inimaginável em pleno século XXI (um quadro de Pollock visto ao vivo é algo de indescritível).
Será o quadro de Teri um Pollock original? O que importante é que “jovem” septuagenária já sabe responder à sua pergunta, a mesma que deu origem ao título do filme.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tropic Thunder



2008
Comédia
107 minutos
Ben Stiller (realização e guião)
Justin Theroux (guião)
Etan Cohen (guião)


"I don't read the script. The script reads me."
Kirk Lazarus

Ben Stiller tem conseguido, enquanto actor, uma carreira sólida no mundo da comédia americana, ao mesmo tempo que tem dado asas à sua faceta de realizador, contando já com quatro longas-metragens realizadas. Com Tropic Thunder (2008) conseguiu aliar vários factores distintos, desde uma produção com meios e financiamento elevados, um leque de actores escolhidos a dedo, e carta branca para poder “desancar” no mundo da indústria cinematográfica americana a seu belo prazer.
O filme segue as filmagens de um filme passado durante a guerra do Vietname, acompanhando um grupo de soldados composto pelos actores Robert Downey Jr., Jack Black, Jay Baruchel, Brandon T. Jackson e o próprio Bem Stiller; há ainda que contar, no elenco, com os nomes de Matthew McConaughey, Steve Coogan, Nick Nolte e um quase irreconhecível Tom Cruise.
Stiller enfrenta de forma despudurada alguns dos grandes chavões e preconceitos dominantes por trás de toda a produção cinematográfica americana, desde o racismo, às pessoas portadoras de deficiência, aos agentes e produtores que não olham a meios para conseguirem que os seus investimentos lhes garantam o, tão esperado, retorno necessário. Trata-se de uma comédia pura e dura, que não procura em momento algum pisar terrenos que não os seus.
De realçar o factor de a acção correr on location, contrabalançando o nonsense e ajudando a criar o ambiente necessário para o desenrolar do filme. Podemos dizer que a ideia de levar os actores para o local da acção, acaba por beneficiar também o espectador, pois este acaba por ter uma maior envolvência, fruto da exploração espacial explorada por Stiller.
Com uma premissa base muito boa, e com um elenco all-star, Ben Stiller conseguiu provar que pode ser uma boa aposta para os grandes estúdios, já que o frenesim em torno de Tropic Thunder foi mais que muito. Talvez seja altura de experimentar (novamente) outros caminhos para além da comédia.
Não posso terminar sem referir Robert Downey Jr., no papel de Kirk Lazarus, numa daquelas performances que sozinhas conseguem 'suportar' o filme. Sinal disso mesmo, foi o facto de este papel ter valido a nomeação ao Oscar para melhor actor secundário, algo notável tendo em conta que se trata de uma comédia.