quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Anvil! The Story of Anvil



2008
Documentário
90 minutos
Sacha Gervasi


"Family's important shit, man."

Steve 'Lips' Kudlow

Quem são Steve’Lips’ Kudlow e Rob Reiner? Dois jovens do Canadá que decidiram formar uma banda quando tinham catorze anos, acalentando o sonho de serem Rock Stars de valor. Hoje em dia estão ambos na casa dos 50 anos, e o sonho continua a ser o mesmo.
Lips e Reiner são os membros fundadores da banda de metal Anvil, uma banda que alcançou algum sucesso no início dos anos 80, com temas como Metal on Metal e 666, contudo, eclipsou-se, deixou de dar sinais de vida, sem nunca ter chegado a morrer.
Sacha Gervasi foi roadie da banda enquanto adolescente, tendo sido o responsável pela realização deste documentário onde todos os ingredientes de uma grande obra cinematográfica estão presentes. Há drama, acção, comédia, nonsense, sentimentos à flor da pele, road trips e muito amor.
O filme acompanha os dois elementos originais dos Anvil na sua tentativa de conseguirem cumprir o sonho de estarem no rock para sempre, ao mesmo tempo que tentam gravar, produzir e editar o seu 13º (!!) álbum. Há alguns piscar de olho cúmplices para o filme This Is Spinal Tap (1984) de Rob Reiner (nada em comum com o membro da banda), levando mesmo em alguns casos a olharem para os Anvil como os verdadeiros Spinal Tap. O filme de Gervasi acaba por não ser tanto sobre o rock, o metal ou os próprios Anvil, centrando-se mais nas relações humanas, nos sonhos e no que é realmente o sentimento de família. Lips e Reiner são mais que amigos, são irmãos que necessitam um do outro para conseguirem forças para prosseguirem, sem se corromperem, a si próprios, nem à sua visão dos seus objectivos. De concertos sem público, passando por totalmente imprópria, até ao momento do concerto final, Anvil levam-nos numa viagem alucinante do querer e da força de abnegação que dois homens de meia-idade demonstram, perante uma sociedade que quase os esqueceu.
Os comentários iniciais de gente como Slash, Lars Ulrich e Lemmy, demonstram bem o papel que os Anvil desempenharam, e que sem se perceber bem porquê, se eclipsou. Com Anvil! The Story of Envil, renasce um mito, uma nova legião de fãs e o reconhecimento tão aguardado (vão estar em tour com os AC/DC).
É o realizar de um sonho que vemos desenrolar durante 90 minutos em frente aos nossos olhos, um sonho simples, em que dois jovens tentaram sempre e acabaram por conseguir aquilo que todos procuramos, apenas… a felicidade.

My Kid Could Paint That




2007
Documentário
82 minutos
Amir Bar-Lev

Pegando na eterna dúvida de o que é arte, e como esta nasce, o realizador Amir Bar-Lev acompanhou o dia-a-dia de Marla Olmstead, uma criança de quatro anos que de repente virou o centro das atenções do mundo artístico.
Os quadros de Marla foram mesmo comparados a artistas como Picasso e Pollock, obras de um sublime engenho, que em tudo parecem não se adequar a tão tenra idade. Amir inicia o seu documentário como um adepto fervoroso da pequena iluminada, mas à medida que os minutos vão passando a inquietação e a dúvida no que diz respeito à autenticidade das obras começa a ser uma constante. O documentário é exímio em tentar ser o mais imparcial possível, trazendo todas as pistas, hipóteses e cenários para a mesa, deixando todas as cogitações e ilações inerentes a cargo do espectador. Aliás, é por demais evidente a luta interna de Amir, entre as suas primeiras intenções e as dúvidas que se vão apossando das suas convicções.
O que é certo é que Marla ainda não foi nunca desmentida, para todos os efeitos todas as obras são da sua autoria, continuando a vender à escala das dezenas de milhares de dólares. Durante o filme, Marla é vista a pintar dois quadros completos de princípio ao fim, sem grandes interrupções e sem ajudas. Por algum motivo, esses dois quadros são as suas obras mais fracas, coincidência? Talvez, mas talvez não, e é aí que somos apanhados, num turbilhão de dúvidas e injustiças praticadas para com os intervenientes (Marla, pais, família, galerista).


O quadro Burning Blue Ball.

É certo que todos já vimos quadros que parecem ter saído de uma qualquer aula de E.V.T. de uma turma do 5º ano, contudo tem de se ter em conta que a pequena Marla Olmstead ainda nem idade para andar na primeira classe tem. O filme encerra numa nova exposição de Marla, agora já com seis anos, mas ainda em toda a sua plenitude, não uma artista, mas uma simples criança.
Serão os quadros mesmo da sua autoria? Há dias em que é fácil acreditar que sim.


A pequena Marla.