2003
Fantasia (Curta-Metragem)
8 minutos
Sandy Collora (realização e guião)
"Look at my face. This is who I am. My... 'mask' is permanent. You have a choice."
Joker
Esta vai ser uma estreia, a primeira aparição de uma curta-metragem aqui pelo A Minha Cinefilia.
Descobri esta jóia completamente por acaso, deparei-me com a referência a Batman e decidi investigar. Por sorte, e por se tratar de uma película de curta duração, esta encontra-se disponível na totalidade no Youtube, o que me permitiu visionar, aquilo que seria um filme a que de certeza nunca teria acesso (tendo em conta, não só que a pirataria não é aprovada aqui no burgo, como o escasso acesso que Portugal tem a obras deste tipo).
Falo do filme de Sandy Collora, Batman: Dead End (2003), exibido na Comic-Con de 2003, onde almejou grande sucesso. Collora filmou esta obra com o intuito de mostrar as suas capacidades como cineasta, na esperança de conseguir ofertas para realizar longas-metragens. Pode dizer-se que esse objectivo foi conseguido, já que Hunter Prey, a primeira incursão no universo das longas, se encontra pronto a estrear.
Voltando a Batman: Dead End, trata-se de um trabalho executado de forma incisiva, resultando num produto final acutilante. Esqueçam os dois filmes mais recentes do Cavaleiro das Trevas, despojem Batman de toda a tecnologia inerente ao século XXI, esqueçam o Joker de Heath Ledger, e acima de tudo, lembrem-se da personagem da banda-desenhada e dos primeiros filmes/séries de televisão. Se conseguirem isso tudo, vão ver um dos melhores Batmans de sempre.
Aqui Batman (Clark Bartram) persegue Joker (Andrew Koening) que escapou de Arkham, num confronto directo cru e terrivelmente honesto, onde a existência e coexistência destes eternos rivais é aferida como uma dialéctica derrotista, onde a salvação apenas poderá residir na anulação parcial, mas nunca total de um dos seus intervenientes. Collora utiliza a economia narrativa de forma hábil, criando todo o setup para este confronto, apresentando-nos ainda Batman com planos bem conseguidos – o plano em que Batman se ergue na rua, com a capa sobre o pavimento molhado, é belíssimo. Batman é apresentado como um tipo duro, nada high-tec, muito em contacto com o seu lado mais sombrio, um vingador, um justiceiro. Joker é um louco fugido do asilo, muito bem apresentado, em constantes jogos psicológicos, numa interpretação próxima do Joker original, mas distanciada o suficiente para se pautar como um trabalho muito interessante (não esquecer que Heath Ledger só apareceria com o seu Joker em 2008 em The Dark Knight de Christopher Nolan). Os ambientes são sombrios, a chuva e a escuridão dominam grande parte desta Gotham de Collora, ajudando ainda mais na caracterização do universo e também das personagens.
Mas, eis que se dá um twist que para uns matará completamente o trabalho de Collora, e que para outros, apenas lhe dará mais layers. Com a utilização de personagens conhecidas, o realizador faz o cross-over entre o mundo de Batman, de Alien e de Predator. É isso mesmo, surgem Aliens e Predators na acção, ajudando a mostrar um Batman mortífero, em combates directos e brutais. Podemos de dizer que é rebuscado demais misturar estes universos, mas o que é certo é que lhe dá um certo toque de originalidade e criatividade, colocando frente a frente um dos mais famosos e amados super-heróis, com dois (três, se contarmos com Joker) dos mais amados vilões do cinema.
Vale definitivamente a pena, quer seja pelo universo de Gotham que transmite um sentimento de proximidade com o material original, quer pela 'inovação' artística de Collora. Uma obra que serve como cartão de apresentação de um realizador que ousou usar a sua paixão para criar uma história, uma homage a um herói, isto é, um realizador que não teve medo de dar asas à sua cinefilia.






