Fantástico/Romance
2008
122 minutos
Catherine Hardwicke (realização)
Melissa Rosenberg (guião)
"Death is peaceful - easy. Life is harder."
Bella Swan
Não sou muito de ir pelo hype criado em torno de um filme, aliás, só mesmo o inverso, quando algo tem uma aceitação massificada sem grande fundamento, opto por esperar uns tempos, deixar assentar a “poeira” e tentar julgar por mim próprio. Neste caso a poeira foi mais que muita, sendo que poeira surge agora sem aspas de forma intencional.
Catherine Hardwicke surgiu no panorama da realização com Thirteen (2003), estabelecendo-se como uma voz feminina de realce no universo de Hollywood. Seguiu-se Lords of Dogtown (2005) (que esteve quase para ser realizado por David Fincher), realizando em 2006 The Nativity Story. Um corpus bastante heterogéneo, dando uma imagem de polivalência e competência nas obras realizadas.
Em 2008 realizou o seu maior sucesso até à data, Twilight, adaptação ao grande ecrã do primeiro livro da saga escrito por Stephenie Meyer. Hardwicke tornou-se mesmo a primeira mulher realizadora a conseguir quebrar a barreira dos 150 milhões de dólares (nos Estados Unidos), contudo a história de Bella Swan (Kristen Stewart) que ao decidir ir viver com o seu pai na pequena localidade de Forks, se apaixona por Edward Cullen (Robert Pattinson) um vampiro pertencente a uma “família” de vampiros que habita nas imediações. O filme segue uma narração de Bella, num tom confessional, como lendo páginas do seu próprio diário, algo que faz a ponte entre o filme e o livro e dos poucos elementos que consegue subsistir durante a película.
Consegue-se perceber o apelo que o filme exerceu sobre o público, sem grande receio em errar, posso mesmo dizer que se tratou de um público maioritariamente adolescente ou mesmo pré-adolescente. Actores com bom aspecto, personagens enigmáticas (para não dizer vazias e superficiais), um grupo de outcasts que se move à margem da sociedade imperante e um romance que anda sempre na berlinda entre o amor e a morte. Em suma, todos os ingredientes para um dos filmes mais insípidos dos últimos tempos, que soube aproveitar bem esta nova trend onde os vampiros e tudo o que os rodeia ganharam uma nova aura, fascínio que sempre existiu, mas que agora se massificou, sendo indubitavelmente cool. Nunca se chega a perceber bem o enredo de Twilight, há quem defenda que não existe um, mas a história de amor entre um vampiro centenário e uma jovem de 17 anos, tem tudo de sinistro e assustador e nada de fascinante e encantador.
Trata-se de uma peça de joalharia com um brilho e apelo intenso, mas que de preciosa não tem nada. A continuação já está nos cinemas e o terceiro filme também já está a caminho, pode ser que Twilight apenas tenha servido como introdução para melhores coisas que se seguirão, assim espero.
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