War Movie
2009
153 minutos
Quentin Tarantino (realização e guião)
“You know how you get to Carnegie Hall, doncha? Practice.”
Lt. Aldo Raine
Tarantino levou dez anos a escrever o guião de Inglourious Basterds (os dois erros ortográficos são propositados, também sendo propositada a não clarificação por parte do realizador de tal facto: "Here's the thing. I'm never going to explain that"), um projecto que o seduziu há alguns anos, um filme de guerra que conjugasse também o buddy movie. Contudo, se alguém esperaria algo do género The Dirty Dozen (1967) de Robert Aldrich, este filme é muito mais.
Muito ao estilo de Tarantino, várias histórias (talvez fosse mais correcto o termo estórias) entrecruzam os seus caminhos, numa estruturante história central, a própria História Mundial. Um grupo de soldados judeus liderados por um distinto Aldo Raine (Brad Pitt); um oficial alemão caçador de judeus, Hans Lada (Christoph Waltz, que carrega, muito do filme); uma actriz famosa que colabora com os aliados como espiã, Bridget von Hammersmark (Diane Kruger); uma dona de um cinema francês que esconde o seu passado como judia, Shosanna (Mélanie Laurent); e ainda um herói de guerra responsável pela morte de centenas de aliados, Fredrik Zoller (Daniel Brühl). Tarantino consegue interligar todas as histórias precipitando-as para um acontecimento comum, uma estreia cinematográfica da nova produção de propaganda alemã proveniente da UFA. De referir também a presença do realizador Eli Roth no elenco desempenhando o papel do temível Bear Jew, Rith realiza também o filme dentro do filme, o périplo do soldado Zoller, Nation’s Pride.
Só mesmo um realizador cinéfilo como Quentin Tarantino seria capaz de ligar de forma tão destacada o cinema ao destino do mundo e a uma nova história mundial, como que mostrando que o cinema pode ser solução para várias situações, entre as quais a queda de um ditador. A referência cinematográfica ao cinema de propaganda (o filem sobre os feitos de Zoller), assim como a um cinema de atracções, um cinema de choque (o filme que Shosanna exige, precipitando o destino dos presentes na sala), procuram centrar as atenções naquela que é chamada de sétima arte, um veículo que serviu vários intentos e que aqui materializa toda a sua força no alterar dos destinos da Humanidade.
Além das personagens riquíssimas, do diálogo detalhado e das histórias paralelas, a banda sonora volta a ser riquíssima, o que também já é uma imagem de marca do realizador americano.
Se considerarmos Inglourious Basterds apenas e só um filme de guerra, vamos ficar decepcionados pela ausência de grandes sequências de acção. Aqui o foco central acaba por ser mesmo o cinema, um herói silencioso que desempenha sempre um papel importante na estruturação de momentos distintos ao longo dos tempos, e que recebe agora o seu merecido reconhecimento.
Se considerarmos Inglourious Basterds apenas e só um filme de guerra, vamos ficar decepcionados pela ausência de grandes sequências de acção. Aqui o foco central acaba por ser mesmo o cinema, um herói silencioso que desempenha sempre um papel importante na estruturação de momentos distintos ao longo dos tempos, e que recebe agora o seu merecido reconhecimento.
Lendo o guião é notória a flata de algumas cenas que em tudo iriam enriquecer o filme, restanos esperar que tenham sido cenas cortadas que possam aparecer numa futura versão em DVD.
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