segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sunshine Cleaning



Dramedies (chamemos-lhe assim por ser Drama com laivos de comédia)
2008
91 minutos
Christine Jeffs
Megan Holley (guião)

"I recommend the pecan pie"
Waitress

Pouco tempo depois do primeiro filme, aqui vai nova contribuição. Ao ler a sinopse pareceu-me um filme interessante e avancei para o seu visionamento, não me arrependi em nada.
Christine Jeffs realiza este Sunshine Cleaning de 2008, um daqueles filmes que cria a sua própria sorte, isto é, um daqueles filmes indie que se torna um fenómeno de popularidade pela forma como chega às pessoas. Quer pelo estilo, quer pela própria presença de Alan Arkin novamente no papel de avô, as pontes entre este filme e Little Miss Sunshine (2006) de Jonathan Dayton e Vlerie Faris são inevitáveis. São o tipo de filmes que tem atraído o público de Sundance, destacando-se pela simplicidade da história e pela forma impressionante e descomprometida como aliam o drama, não com a comédia, mas com elementos cómicos.
Aqui, duas irmãs, Rose (Amy Adams) e Norah (Emily Blunt), decidem enveredar pelo negócio da limpeza de cenas de crime, enquanto Rose tem de lidar com o seu filho Oscar (Jason Spevack) “problemático”, ou melhor, enigmático; com um amante que nunca deixará a mulher e com um pai à procura de uma grande oportunidade de negócio. De referir também a presença de Clifton Collins Jr., Steve Zahn e Mary Lynn Rajskub no elenco.
As diferentes e carismáticas personagens que pautam a narrativa são sem dúvida o ponto de maior destaque em Sunshine Cleaning, não só por serem multifacetadas e todas de grande profundidade e complexidade, mas por em todas elas ser notório que há algo de crooked, algo de “errado” que lhes confere ainda mais cor.
A história não se preocupa em atar todas as pontas soltas, nem em encontrar uma fórmula de felicidade, apenas segue o rumo natural de personagens à procura de pequenas coisas, de pequenos acomplishments que lhes permitam seguir o seu caminho.
Realce para a magnífica realização na cena de ‘trestling’, com uma música fantástica onde através de montagem simultânea ficamos a saber o que aconteceu à mãe das duas irmãs, enquanto Norah se extingue dos seus defeitos, num momento de catarse em que volta a ser criança, em que volta a chorar, em que volta a sentir, enquanto o comboio passa sobre a ponte; ao mesmo tempo que a voz de Óscar ecoa com perguntas directas a um céu que desconhece: “can you see everything down here?”.
Rose e Norah retomam as suas vidas onde as outras pessoas abandonam as delas, apesar de não relembrarem a mãe, despedem-se dela pela primeira vez ao vê-la na televisão, sorridente e bela, como uma mãe se parece sempre aos olhos dos seus filhos.
Um filme que não se perde nos confins da emotividade, mas que não deixa de piscar o olho ao nosso lado mais sensível, sem se comprometer com o tradicional happy ending, mas com um cada vez mais habitual hope ending.



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