terça-feira, 20 de outubro de 2009

Les poupées russes



Romance/Drama/Romance
2005
125 minutos
Cédric Kaplisch (realização e guião)

"I know you're not always perfect. I know you have tons of problems, defects, imperfections... but who doesn't? It's just that I prefer your problems. I'm in love with your imperfections. Your imperfections are just great!"
Wendy

Depois de um ano de descoberta e liberdade, de perceber o que realmente não se quer da vida, de finalmente começar a lutar por um sonho, o que nos resta? O conformismo a uma sociedade onde não conseguimos existir da forma como pensávamos ser possível, continuando a pautar a vida por uma sequência interminável de escolhas erradas e de desilusões constantes.
Esta é a vida de Xavier Roousseau (Roman Duris) em Paris depois de completada a aventura de Erasmus em Espanha, L’auberge espagnole (2002). Cédric Klapisch volta à personagem de Xavier dando seguimento ao sucesso conseguido com o primeiro filme. É uma oportunidade de voltar a rever as personagens do primeiro filme, com destaque para Wendy (Kelly Reilly), Isabelle (Cécile de France), William (Kevin Bishop) e Martine (Audrey Tatou).
Em Les poupées russes (2005) Kaplisch mostra o retorno à realidade mundana e citadina de um jovem parisiense, o acordar de um sonho que pareceu poder existir para todo o sempre. As escolhas e a mudança são temas bases do filme, temos o poder de decidir/escolher, assim como o poder de mudar sem nunca esquecermos quem somos. O casamento de William serve como metáfora para a passagem à idade adulta de um grupo de jovens que se vê obrigado a crescer, a assumirem-se (mesmo que não o quisessem) como adultos, como membros activos de uma sociedade onde, ainda, não se revêem. Kaplisch mistura mais uma vez habilmente elementos cómicos, com laivos de romance e drama, numa agradável amálgama de sensações.
Pode argumentar-se que é um filme sem o mesmo poder de encantamento como o primeiro, mas trata-se de um filme mais maduro que procura encontrar o mesmo público numa diferente fase da sua própria vida, sendo certo que a identificação só acontece com o amadurecimento pessoal de cada um.
É bom encontrar e rever todos aqueles que nos encantaram em Espanha, e saber que o futuro pode, afinal, ser aquilo que sonhávamos, que podemos encontrar o nosso lugar, que podemos assumir as nossas escolhas, que encontraremos a pessoa a que diremos “i love you” como acontece nos filmes.

Sem comentários: