Ficção Científica
2009
112 minutos
Neill Blomkamp (realização e guião)
Terri Tatchell (guião)
"When dealing with aliens, try to be polite, but firm. And always remember that a smile is cheaper than a bullet."
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Com a chancela de Peter Jackson chega este District 9, uma das maiores surpresas do ano. O filme surge de uma curta-metragem previamente realizada pelo realizador Neill Blomkamp intitulada Alive in Joburg (2005), que lhe conferiria um estatuto aceitável para encabeçar um grande projecto. A ideia inicial era Blomkamp realizar a versão cinematográfica do jogo Halo, mas quando o projecto fracassou, o produtor Peter Jackson entregou 30 milhões de dólares a Blomkamp para este realizar o que bem entendesse, o resultado foi um inovador filme de ficção científica/fantástico.
Os extraterrestres chegam à terra, perdidos desorientados e sem nenhum plano de conquista e domínio da raça humana, bem pelo contrário. Os humanos rapidamente dominam, testam e segregam os visitantes em bairros de lata, fortemente policiados e vigiados. As pontes de ligação entre a separação racial vivida na África do Sul e o separatismo que vitimam os Prawns (termo depreciativo usado pelos humanos para com os alienígenas) não são casuais, a infância do realizador foi marcada por esses factores, que habilmente transporta como meio de união entre a raça humana contra um ser que apenas é diferente.
O filme divide-se em duas partes bem distintas, seguindo a primeira parte um estilo de documentário ficcional, com a câmara na mão, seguindo Wilkus (Sharlto Copley) e a sua equipa na tentativa de realojarem os aliens em novas instalações, em tudo semelhante a um campo de concentração, sendo o filme pontuado por entrevistas desde especialistas que procuram compreender melhor a espécie a populares revoltados com a presença dos aliens. Na segunda metade o filme passa a um filme de acção repleto de efeitos especiais, seguindo a tentativa de Wilkus se transformar num prawn.
A mestria de Blomkamp está na subversão de alguns aspectos comuns neste tipo de filme; como é dito no próprio filme, por incrível que pareça os alienígenas não escolheram Nova Iorque ou outra qualquer cidade americana para se darem a conhecer, escolherem um local quente, onde os índices de pobreza e desigualdade social são acentuados, onde as slums são mais que muitas; o facto de o Homem ser a espécie dominante, ocupando o lugar do invasor, mesmo sendo a espécie visitada, subverte toda e qualquer ordem comum aos filmes de extraterrestres; assim como a caça a um humano que se vai gradualmente transformando, a procura incessante por este ser que se torna valioso pelos ganhos tecnológicos/bélicos que pode garantir às grandes empresas e Governos.
As questões sociais, assim como o racismo e a xenofobia são o leitmotiv subjacente ao longo de todo o filme, não havendo um apontar de dedo directo, há como que um tocar a consciência do ser Humano para não esquecer os erros do passado, pois quem esquece os esquece, está condenado a repeti-los.
A porta fica aberta para uma continuação, algo que não deve ser muito complicado tendo em conta o sucesso nas bilheteiras, contudo acho que a história de Wilkus, mesmo tendo em conta todas as incongruências da narrativa, ficava bem concluída se ficasse por aqui.
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