2003
112 minutos
Lauren Lazin
"I'm not saying that I'm gonna change the world, but I guarantee that I will spark the brain that will"
Tupac Amaru Shakur
Este será o primeiro filme analisado pelo "A Minha Cinefilia". O motivo que levou a esta escolha é bastante simples, foi o último filme que vi, ontem de madrugada para ser mais exacto.
Data já de 2003 este filme realizado por Lauren Lazin que esteve nomeado para o Oscar na categoria de melhor documentário acabando por perder para Born Into Brothels: Calcuta's Red Light Kids de Zana Briski e Ross Kauffman.
O filme de Lazin segue o percurso turbulento do rapper Tupac Shakur, desde a infância entre Nova Iorque e Baltimore, filho de uma activista dos Black Panther que cedo lhe incutiu os valores que mais tarde se iriam reflectir em muito do seu trabalho. Tupac foi uma das principais figuras (ou mesmo a principal) no aparecimento do chamado Gangsta Rap, com as suas letras explicitas e agressivas, que reflectiam o clima de instabilidade e mudança que se afigurava na costa Oeste dos Estados Unidos, promovendo o que o rapper denominava de Thug Life.
O filme segue uma tónica bem reconhecida de os documentários/biopics, ao seguir os passos de Tupac desde a infância até ao fatídico dia 13 de Setembro de 1996 quando acabou por falecer depois de ter sido baleado (foi baleado a 7 de Setembro). Aqui é o próprio Tupac quem conta a sua história, na primeira pessoa, sem rodeios nem subterfúgios analisando todos os passos que deu; desde as escolhas acertadas (sucesso na música e no cinema), passando por todos os erros que cometeu (tráfico de droga na adolescência, acusações diversas e penas de prisão, passando pelo conflito com Notorious B.I.G., entre outros). O facto de sermos apresentados a Tupac pelo próprio Tupac aproxima-nos do sujeito tratado, tornando o filme muito mais intimista e pessoal. A utilização de entrevistas e imagens de arquivo ajudam a compôr melhor a personalidade desta personagem que ainda hoje é olhado como o melhor rapper de sempre. O resurrection presente no título não pretende alimentar as teorias de que o rapper simulou a própria morte, prende-se indubitavelmente com a viagem aos infernos e o seu ressurgimento enquanto um novo homem, um homem que procurava ser melhor do que tinha vindo a ser até então. Há claramente um Tupac antes de ser preso e outro depois de ter estado na prisão, assim como poderemos considerar que o Tupac que sobreviveu a uma tentativa de assassinato (foi baleado cinco vezes) era um homem diferente.
O documentário não pretende o endeusamento de Tupac, cada um olhará para a sua vida e para a sua obra da maneira que entender, mas o seu legado é inquestionável. Na parte final do filme, Lazin é exímia a mostrar-nos isso mesmo, ao mostrar-nos como um simples jovem de Harlem conseguiu chegar a pessoas de todo o mundo.
Um filme documental com uma personagem bigger than life que sabia estar talhado para a imortalidade, como o próprio dizia "tha´'s just the way it is". Tupac faleceu em 1996, tinha 25 anos.
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