terça-feira, 6 de outubro de 2009

Stranger Than Fiction



Drama
2006
113 minutos
Marc Forster
Zach Helm (guião)

“I’m being followed by a woman’s voice.”
Harold Crick

Stranger Than Fiction de Marc Forster é uma daquelas pérolas que vale a pena ver, rever, procurar o guião para o ler e reler, telefonar aos amigos e ter a certeza que o vêem e revêem e por aí fora.
Harold Crick (Will Ferrell no seu melhor papel até agora) é um funcionário do IRS que sofre de uma excessiva e marcada rotina diária, mesclada com laivos de comportamentos obsessivos compulsivos; que de repente começa a ouvir uma voz de mulher a narrar a sua própria vida, não a vida passada ou acontecimentos futuros, mas a vida que se desenrola agora. Essa voz pertence à escritura Karen Eiffell (Emma Thompson) que se encontra a terminar o seu mais recente livro, sem contudo saber como matar a personagem principal, um tal de Harold Crick.
Pelo meio há um elenco riquíssimo com um Dustn Hoffman num daqueles papéis que lhe assenta na perfeição, uma Maggie Gyllenhaal esplêndida, passando por Queen Latifah, Tony Hale e Tom Hulce entre outros.
O guião de Zach Helm é deslumbrante, um daqueles trabalhos que se assemelha, quer pelo estilo, quer pela sua quirkiness dos trabalhos de Charlie Kaufman, as pontes entre este Stranger Than Fiction e Adaption. (2002) de Spike Jonze são várias, mas o guião de Helm tem força para subsistir por si próprio. Aliado ao guião surge a realização de Forster que consegue dispor na perfeição o mundo descoincidente de Harold, onde tudo se transforma em números, em percentagens e contas, assim como o mundo de Karen onde a fantasia e a imaginação tomam conta do real, na tentativa de achar a melhor morte, aquele que se adequa melhorar ao seu ‘herói’, o seu final perfeito.
Este é um daqueles filmes que nos faz querer pegar numa caneta e começar a escrever, que nos faz querer cumprir um qualquer sonho que deixámos para traz (mesmo que seja ir para o Space Camp), que nos faz querer alterar a nossa rotina e tentar encontrar sempre o melhor final para cada capítulo que iniciamos.
Stranger Than Fiction joga no limiar no filme de fantasia, sem se perceber nunca se estamos perante um drama, um drama/comédia ou mesmo uma comédia/drama, o próprio Harold a uma certa altura tenta encontrar a resposta para isso mesmo. Trata-se contudo de um daqueles filmes que fica connosco durante bastante tempo, mesmo que o final não seja aquele que tornaria o livro de Karen numa obra-prima, afinal como a própria Karen diz:
“But if a man does know he's about to die and dies anyway. Dies- dies willingly, knowing that he could stop it, then- I mean, isn't that the type of man who you want to keep alive?”
Eu acho que sim.

Sem comentários: