terça-feira, 20 de outubro de 2009

Masters of the Universe



1987
Fantasia
106 minutos
Gary Goddard (realização)
David Odell (guião)

"Men who crave power look back on the mistakes of their lives, pile them all together and call it... destiny."
Sorceress

Longe vai o ano de 1987, longe vão as memórias da infância, mas as boas recordações, essas duram para sempre. Naquelas horas intermináveis de desenhos animados, sem dúvida que um dos que mais me fascinava e seduzia (ao ponto de comprar os bonecos, ou como se intitulam agora as action figures) era He-Man and the Masters of the Universe (1983-1985).
Não me importava o penteado à Beatriz Costa que He-Man/Prince Adam ostentava com orgulho; que Skeletor apenas fosse esqueleto do pescoço para cima; que Man-At-Arms fosse o único habitante de Eternia com bigode; que Orko não tivesse pernas; que ninguém, excepto três pessoas, soubesse que Prince Adam era He-Man, quando a única diferença estava nas vestes; que He-Man e Skeletor andassem ambos em roupa interior como se nada fosse; ou mesmo que She-Ra a irmã gémea de He-Man tivesse a sua própria série de desenhos animados com outros vilões e companheiros, em vez de juntar forças na protecção do castelo de Grayskull, enquanto He-Man aparece várias vezes para ajudar a irmã a defender o seu Crystal Castle em Etheria.

O elenco original.

O que interessa é que não me importava com nada disto, pois a qualidade da animação era abundante, criando uma avultada base de fãs em todo o mundo. Ora, Hollywood não poderia deixar passar esta oportunidade sem tentar capitalizar no sucesso da série de animação. Assim surgiram planos para uma adaptação ao grande ecrã, uma longa-metragem com actores a desempenhar as apaixonantes personagens, com um guião que seguiria o herói na sua luta titânica com o seu eterno rival, dando espaço para desenvolver quer o Universo de Eternia, quer os seus famosos habitantes.
Contudo existiam vários problemas que ao que parece ninguém quis ter em consideração:

1º - estávamos em 1987;
2º - as adaptações de BD ou séries de animação eram tidas como filmes para crianças;
3º - o ano era 1987;
4º - o Universo de Eternia não existia;
5º - a produtora Cannon Cinema estava à beira da falência;
6º - a adaptação de He-Man ao cinema seria o filme mais caro de sempre da Cannon;
8º - 87, 1987;
9º - Cannon iria falir antes do filme estar terminado;
10º - não sendo um filme para crianças, o público não sabia o que esperar, os efeitos especiais necessários não eram ainda suficientes e satisfatórios para uma produção desta envergadura, ou seja… estávamos ainda no ano de 1987!

Nada disto impediu que em 1987 a produção avançasse a cargo do realizador Gary Goddard, o apelido pode ser sugestivo, mas a verdade é que o seu único filme realizado acabou por ser mesmo Masters of the Universe (1987). Quando doravante eu falar em guilty pleasures, esta será a minha referência. Mais uma vez não me importa que o filme seja mau em praticamente todos os seus quadrantes, o que é certo é a que a magia está lá. Dolph Lundgren saído de Rocky IV (1985) de Sylvester Stallone, onde desempenhara o soviético Ivan Drago, foi escolhido para dar vida a um He-Man que nunca chega a ser Prince Adam, algo previsto pelo guião.


O herói em versão Mattel e em versão Hollywood.

Não previsto estava as dificuldades financeiras que obrigaram a alterações na história. Assim, a acção não iria decorrer em Eternia, mas sim no planeta Terra, não sendo necessário gastar dinheiro a criar cenários e personagens elaboradas.
O castelo de Grayskull é conquistado por Skeletor (o talentoso Frank Langella), obrigando He-Man, Man-At-Arms, que felizmente, manteve o seu carismático bigode (John Cypher), Teela filha de Man-At-Arms (Chelsea Field) e Gwildor um feiticeiro criado para substituir o voador Orko (Billy Barty), a refugiarem-se no planeta Terra, onde contariam com a ajuda dos jovens Kevin (Robert Duncan McNeill, hoje um realizador com bastante trabalho no mundo das séries de tv) e Julie (Courtney Cox, sim a Monica de Friends (1994-2004)).
Skeletor é fascinante, mas a máscara utilizada para simular a caveira tem sempre um aspecto falso, difícil de digerir. Já o séquito de vilões ao serviço de Skeletor e Evil-Lyn (Meg Foster) alterna entre o ridículo e o apelativo, enquanto os elementos do exército do mal, são claramente extraídos do Universo Star Wars, assim como os raios laser. Vermelho para os ‘maus’, azul para os ‘bons’. Torna-se interessante ver He-Man a utilizar armas de raio laser em vez da sua fiel Power Sword (é verdade, também tive uma destas de brincar), para não falar da chave que precisam para retornar a Eternia e que Kevin usa como sintetizador… japonês. Eu já referi que estávamos em 1987?
Embora tudo isto, um filme foi preparado como sequência, tinha guião, cenários, e até guarda-roupa, mas quando o filme de Gary Goddard fracassou, os planos mudaram, dando origem ao filme Cyborg (1989) de Albert Pyun com Jean-Claude Van Damme no principal papel. No site imdb.com por exemplo, ainda é possível ver o título original do filme “Masters of the Universe 2: Cyborg”.
Não há forma de articular uma crítica capaz a Masters of the Universe, ora é o coração a falar mais alto, ou a razão a chamar-me à realidade e a fazer-me aceitar o quão deficitário é o filme. No entanto é daqueles objectos que irão perdurar sempre no imaginário de todos os fãs, que verão nas suas peculiaridades mais uma razão para verem e reverem o primeiro e grande super herói que tivemos o privilégio de apoiar. Masters of the Universe entra naquele universo de filmes produzidos durante a década de 80, assim como Flash Gordon (1980) de Mike Hodges, que nunca se chega bem a perceber se a intenção é serem declaradamente campy, ou se apenas o são por inépcia do realizador. Enquanto Flash Gordon ganhou status de culto, Masters of the Universe foi sendo esquecido e negligenciado. Contudo, nesta fase de revivalismo dos gloriosos 80’s, aqui fica o meu contributo, na esperança que se possa voltar a ouvir orgulhosamente “By the power of Grayskull… I HAVE THE POWER!!!!”.

3 comentários:

Pudim disse...

O He-Man é um dos heróis mais injustiçados de sempre! Não consigo descrever a emoção que sentia quando, em petiz, assistia a um episódio desta série de animação. E quando descobri, na videoteca do Arnado, que existia um filme de animação que contava a história dos gémeos separados à nascença, He-Man e She-Ra? Vi esse filme mil e quinhentas vezes, para ser mais exacto! O filme de que falas, do qual tenho obviamente uma cópia em VHS, deixa os verdadeiros fãs incrivelmente frustados, porque passou ao lado de muitos pormenores fundamentais, para além de ter cenas verdadeiramente deprimentes (falta a transformação, falta a espada, falta o cenário de Eternia, falta o Gringer...). Mas como eu gosto tanto do He-Man, até o filme de 1987 me consegue deixar emocionado. Mas o que considero ser verdadeiramente revoltante é que, no meio de tanto homem aranha, de tanto homem de ferro, até o x-men já fizeram, por que raio não fazem uma versão do He-Man como deve ser?? Por favor Geraldo, quando a 20th Century Fox te contratar, não deixes de fazer este pedido... "fabulous secret powers were revelead to me the day I held aloft my sword and said... By the Power of Grayskull... I Have the POWER!!!!" Não é nenhum pedido, mas se disseres isto pode ser que eles cedam. Ou então te despeçam.

Pudim disse...

http://www.youtube.com/watch?v=Wc7Q5kybPeQ

Vale a pena relembrar... Incrível! Inesquecível! By the power of love... We have the power... we have the power so can you!!!!

Chambel Geraldo disse...

Como alguém disse, corria o ano de 1987... Nos dias de hoje He-Man teria tudo para triunfar e para ser fiel à fonte original.
Infelizmente ainda não vi o filme que referes, trata-se de "The Secret of the Sword" (1985), serviu para fazer a apresentação de She-Ra e lançar a série "She-RA: Princess of Power". Pode ser que já haja à venda por aí.