terça-feira, 13 de outubro de 2009

Walk Hard: The Dewey Cox Story



Comédia
2007
96 minutos
Jake Kasdan (realização e guião)
Judd Apatow (guião)

"And you never once paid for drugs. Not once!"
Sam


É algo comum a todos os apreciadores de cinema, que raio, é algo comum a todo o ser humano, rir é das poucas coisas que todos gostamos, quer seja por uma simples anedota, quer seja por um bem executado sketche. Contudo, comédias que nos consigam prender e fascinar de forma constante e duradoura cada vez são menos, ainda são menores o número de paródias (spoof movies) que conseguem subsistir nos dias de hoje.
Walk Hard: The Dewey Cox Story (2007) de Jake Kasdan, aqui a estrear-se na realização de uma longa-metragem, consegue conjugar todos os elementos de uma boa comédia, superando-se ainda ao dispor de uma banda sonora original de grandíssima qualidade. O filme de Kasdan faz uma súmula de grande parte dos biopics que em grande número invadiram Hollywood nos últimos anos, desde Walk the Line (2005) de James Mangold, passando por Ray (2004) de Taylor Hackford e Beyond the Sea (2004) de Kevin Spacey; não se poupando a algumas alfinetadas directas a Michael Jackson, David Bowie, Bob Dylan, Brian Wilson entre tantos outros. Um olhar descomprometido sobre o mundo discográfico, a criação de estrelas, os altos e baixos, os erros e virtudes, a queda e o reconhecimento, em suma, consegue resumir toda e qualquer personalidade musical de real notoriedade.
John C. Reilly é um dos grandes actores norte-americanos que aqui assume o filme como actor principal, numa demonstração de todo o seu talento e também capacidade vocal, algo que já tinha ficado patente em Chicago (2002) de Rob Marshall. Mesmo numa representação propositadamente goofy, o engenho de Reilly é sublime. Suportado por um elenco repleto de estrelas, entre elas Jenna Fischer (The Office) onde se torna quase uma actividade paralela identificar todos os cameos que vão existindo, desde Harold Ramis, a Frankie Muniz, Ed Helms, Jack White, Jonah Hill, Jack Black, Paul Rudd, Justin Long e Jason Schwartzman para citar alguns.
É uma comédia onde é impossível não rir, onde as pequenas subtilezas dão ainda mais cor a uma história bem trabalhada, onde acompanhamos Dewey desde a sua infância até à velhice, de realçar que John C. Reilly interpreta Dewey Cox desde a adolescência até à sua morte, isto é, desde os 14 anos até aos 71 anos finais. Faltam-me palavras para descrever o gozo enorme que é assistir a esta produção de Judd Apatow (o novo menino bonito das comédias americanas), desde as representações, passando pelas diferentes fases da vida de Dewey, marcadas pelas suas metamorfoses artísticas, assim como pela sua viagem pelo mundo dos narcóticos, sem esquecer o grande valor a nível musical que quer a letra, quer as músicas possuem. Na campanha de promoção do filme realizaram-se concertos do próprio Dewey Cox (com o próprio C. Reilly a cantar e tocar), o que demonstra o poderio musical do filme, responsabilidade de Michael Andrews.
Sem dúvida a comédia e o spoof movie que mais me arrebatou de há muitos anos para cá, sendo a procura pelo CD da banda sonora a minha próxima quest.

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