2007
Documentário
82 minutos
Amir Bar-Lev
Pegando na eterna dúvida de o que é arte, e como esta nasce, o realizador Amir Bar-Lev acompanhou o dia-a-dia de Marla Olmstead, uma criança de quatro anos que de repente virou o centro das atenções do mundo artístico.
Os quadros de Marla foram mesmo comparados a artistas como Picasso e Pollock, obras de um sublime engenho, que em tudo parecem não se adequar a tão tenra idade. Amir inicia o seu documentário como um adepto fervoroso da pequena iluminada, mas à medida que os minutos vão passando a inquietação e a dúvida no que diz respeito à autenticidade das obras começa a ser uma constante. O documentário é exímio em tentar ser o mais imparcial possível, trazendo todas as pistas, hipóteses e cenários para a mesa, deixando todas as cogitações e ilações inerentes a cargo do espectador. Aliás, é por demais evidente a luta interna de Amir, entre as suas primeiras intenções e as dúvidas que se vão apossando das suas convicções.
O que é certo é que Marla ainda não foi nunca desmentida, para todos os efeitos todas as obras são da sua autoria, continuando a vender à escala das dezenas de milhares de dólares. Durante o filme, Marla é vista a pintar dois quadros completos de princípio ao fim, sem grandes interrupções e sem ajudas. Por algum motivo, esses dois quadros são as suas obras mais fracas, coincidência? Talvez, mas talvez não, e é aí que somos apanhados, num turbilhão de dúvidas e injustiças praticadas para com os intervenientes (Marla, pais, família, galerista).
O quadro Burning Blue Ball.
É certo que todos já vimos quadros que parecem ter saído de uma qualquer aula de E.V.T. de uma turma do 5º ano, contudo tem de se ter em conta que a pequena Marla Olmstead ainda nem idade para andar na primeira classe tem. O filme encerra numa nova exposição de Marla, agora já com seis anos, mas ainda em toda a sua plenitude, não uma artista, mas uma simples criança.



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