quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Who the #$&% Is Jackson Pollock?




2006
Documentário
74 minutos
Harry Moses (realização)


"Most of the fairy tales begin with “Once Upon a Time”. Most of the truck drivers stories begin with “You are not going to believe this”."

Teri Horton


Será possível existirem peças de arte perdidas pela mundo? Será possível que ninguém saiba que alguma vez existiram? Talvez.
 Este documentário segue o périplo de Teri Horton, uma camionista septuagenária que compra numa loja de coisas em segunda mão, uma tela por 5 dólares. Quando lhe sugerem que essa tela poderá ser um original de Jackson Pollock, Teri inicia uma caminhada monumental na tentativa de provar a autenticidade do quadro.
O mundo da arte é aqui visto pelo que realmente é, um mundo de interesses e de prepotência, onde um conjunto de “experts” se considera detentor da verdade, não admitindo que contradigam a sua opinião, e refutando mesmo a mais moderna ciência forense. O facto de a proveniência do quadro não ser determinada, e o facto de não se encontrar assinado por Pollock descredebilizam o quadro, para não falar de apenas ter custado os já citados 5 dólares. O que é certo é que Teri recebe, inicialmente, uma proposta de 2 milhões de dólares e, posteriormente, uma proposta de 9 milhões, sendo que recusa ambas. A energia de Teri é contagiante, tendo uma história de vida interessantíssima, que em tudo ajudada a colorir todo o contexto de procura de respostas em que esta se vai envolver. Como ela própria diz, trata-se de uma questão de princípio saber se o quadro é verdadeiro.


O quadro de Teri.

O realizador procura mostrar bem o antagonismo existente entre classes, numa tentativa de realçar as assimetrias que existem entre aqueles que se julgam senhores da verdade, e entre o americano comum, uma pessoa de causas que não se poupa a esforços para conseguir provar os seus intentos. É notório que o mundo da arte é em tudo um meio fechado, onde se vive das aparências e das intenções, como fica visível através do contributo de Tom Volpe, que se tornou especialista em vender quadros a preços exorbitantes, apenas porque falsificava a sua proveniência. Aliás, é assumido pelos especialistas que falsificação de documentos é comum, além de ser facílima de se realizar, ou seja, estamos perante um universo onde tudo pode parecer e não ser, ou ser e não se querer que seja.
A voice-over que acompanha a história peca por nunca se afirmar, conferindo um tom de reportagem a um documentário bem interessante, que teria tudo a ganhar se ao menos tivesse uma voz mais expressiva a liderar os rumos da história.
No final não interessa saber se o quadro é verdadeiro ou não. O facto de se tratar de um dos artistas mais importantes do século XX (durante o filme um amigo de Pollock diz mesmo que o pintor foi melhor que Picasso) e de trazer o seu nome de novo para os espaços públicos, é recompensa suficiente. Imaginar que Pollock continua a ser um ilustre desconhecido para maior parte dos seus conterrâneos é algo de inimaginável em pleno século XXI (um quadro de Pollock visto ao vivo é algo de indescritível).
Será o quadro de Teri um Pollock original? O que importante é que “jovem” septuagenária já sabe responder à sua pergunta, a mesma que deu origem ao título do filme.

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