sábado, 16 de janeiro de 2010

Invictus




2009
Drama/Biopic
133 minutos
Clint Eastwood (realização)
Anthony Peckham (guião)


“I was thinking how a man could spend thirty years in prison, and come out and forgive the men who did it to him...”

François Pienaar

O realizador Clint Eastwood parece estar num processo criativo imparável, apresentando filme a seguir a filme, cada um a merecer reconhecimento pela qualidade cinematográfica. Eastwood é exímio no desenvolvimento da narrativa, apresentando histórias/temas aliciantes, pontuados com personagens riquíssimas onde as camadas de leitura se multiplicam em factores múltiplos, sem nunca perder a magia do simples storytelling.
Em Invictus, o realizador americano apresenta os acontecimentos que antecederam o mundial de rugby de 1995 que decorreu numa África do Sul em processo de recuperação de anos de Apartheid, que faziam da agora rainbow nation, uma sociedade amplamente divida, onde o desporto dos brancos, nenhum interesse tinha para os negros. O rugby surge aqui como o mecanismo que Mandela utiliza para fazer a aproximação de um povo, um desporto onde a luta e o combate têm um papel importante, mas onde a solidariedade e o espírito de sacrifício são preponderantes, ícones que o recém eleito presidente viu como essenciais para unir a nação a uma só voz. Olhando friamente, poderemos interpretar como uma manobra política feliz, que resultou não só como um golpe publicitário de elevado feedback, mas como a perfeita orquestração no necessário rumo para a reconstrução da África do Sul.
O filme centra-se, obviamente em Mandela, desempenhando brilhantemente por um Morgan Freeman ainda cheio de vitalidade, e no capitão da selecção sul-africana, François Pienaar (Matt Damon). O papel que os dois homens desempenharam, acaba por ser tratado como uma metáfora para todo o país que aprendeu a perdoar e a procurar algo mais. Com recurso a pouco background histórico, o filme fornece-nos material suficiente para conseguirmos perceber o passado de Mandela, a sua luta e a origem de toda a sua determinação em procurar algo melhor para todos. No entanto, é notório que Eastwood pecou em determinados momentos, as cenas/planos repetidas em diversas fases do filme salta à vista, nomeadamente nas cenas de jogo. Bem sei que o rugby não é o mais importante do filme, mas é sem dúvida o que está no substrato de toda a acção, demonstrando mesmo alguma falta de respeito, pois parece que foram filmadas/editadas muito à pressa.
No geral, Eastwood consegue mais uma obra que deixará os seus seguidores satisfeitos, embora pareça em tudo uma obra muito direccionada para os prémios da academia.

1 comentário:

Pudim disse...

A pergunta da estreia era neste post, enganei-me! Este filme, The Road, pelo que li, dá-me a entender que é uma espécie de de Ensaio Sobre a Cegueira, versão open space, não é? E para quando uma crítica sobre o Avatar? Vá lá, deixa de ser careta e vai ver o filme, não estejas armado em intelectualíssimo. Faz-te bem ver muito azul à frente, já que no campo futebolístico ele está, infelizmente, muito atrás. E não venhas com a desculpa que não aguentas três horas sem fazer xixi. Vais no intervalo!