2007
Documentário
57 minutos
Jon Alpert & Ellen Goosenberg Kent
Em pouco menos de uma hora é nos mostrado as consequências da guerra no Iraque, na sociedade Americana. Um conjunto de dez entrevistas levadas a cabo pelo conhecido James Gandolfini – desempenha também o papel de produtor executivo – tendo como entrevistados jovens amputados, vítimas de engenhos explosivos.
Não tenta, de todo, ser uma peça de propaganda, nem procura escolher lados, procura sim, mostrar as consequências reais de actos políticos, sobre aqueles que são os reais intervenientes, sacrificados em nome de valores duvidosos. A sociedade americana tende a procurar o lado bom, sendo a data dos ferimentos dos soldados tratada como uma celebração da vida, o Alive Day. Contudo, como refere a certa altura um dos entrevistados, o ser obrigado a relembrar todos os anos o pior dia da vida, é tudo menos um motivo de orgulho e celebração. A ambiguidade de sentimentos em relação à existência actual, assim como a dificuldade em lidar com uma realidade devastadora é marcadamente notória nas palavras, lágrimas, angústias e nas faces repletas de olhares vazios destes veteranos de guerra.
A real batalha começa depois dos ferimentos, quando nada mais voltará a ser o que era. As imagens de arquivos pessoais vão sendo entremeadas com imagens pungentes do conflito armado, que nos remetem para a brutalidade dos actos e para a consequência das acções, realçando a precariedade da vida e da condição humana. A guerra do Iraque é a guerra que tem o maior número de amputados a regressarem a casa, superior mesmo ao número de amputados da Guerra Civil Americana.
Um olhar trágico e comovente não sobre a guerra em si, mas sobre as diferentes guerras que nascem desse conflito. Uma pena ser uma obra feita para tv, já que merecia, não só o destaque, mas os meios de uma obra cinematográfica.

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