2008
Comédia/Drama
92 minutos
Clark Gregg (realização e guião)
“We are not born equal sinners, or perfect knock-offs of God. The world tells us whether we're heroes or victims. But, we can decide for ourselves.”
Victor Mancini
O cinema é das poucas artes abertas a todos os tipos de comentários, interpretações e julgamentos; é também das poucas artes que se vê comparada, directamente, com o material que a inspira, isto é, um filme que seja inspirado por um livro, será invariavelmente comparado a esse mesmo livro. Já um quadro que seja inspirado por um livro (só inspirados na Bíblia, há incontáveis obras) nunca sofre esse processo de comparação e confrontação entre a obra final e o material que a inspirou/baseou.
Choke faz parte da vasta obra literária de Chuck Palahniuk - autor de vários livros, entre os quais Fight Club, Lullaby, Diary, entre outros – o que logo à partida acaba por ser um medidor injusto para com o Choke de Clark Gregg. Não esperem uma cópia do livro, nem esperem outro Fight Club (2009), Choke (o filme) vale por si próprio e deve ser visto por si próprio.
Victor (Sam Rockwell) desistiu de medicina para poder ter a mãe doente de Alzheimer num lar/instituição; trabalha num parque temático, onde são recriados os tempos coloniais; percorre os grupos de viciados em sexo para satisfazer a sua adição sexual, ao mesmo tempo que deambula pela vida sem saber o seu rumo, desencantado com o que o rodeia, incapaz de ser feliz. Como esquema para conseguir dinheiro, engasga-se em comida em restaurantes públicos, de forma a ser salvo por pessoas a quem vai pedindo dinheiro.
Este último ponto, que dá nome ao filme, é sem dúvida o que passa de forma menos conseguida. Victor usa o seu esquema de forma perfeita, conseguindo os seus intentos, mas também dando a quem o salva uma nova juventude, um sentido de que é especial e responsável pela vida de outrem, Victor fornece a quem o salva os sentimentos que não consegue atingir, nem pela satisfação carnal. É uma metáfora, assim como uma sátira para a própria vida de Victor, que acaba por se ver incapaz de digerir as situações que o fazem ser como são.
O filme é bem equilibrado, estando a narrativa construída com recurso a diversos flashbacks que contextualizam o percurso de Victor e da sua mãe, o equilíbrio entre o drama e a comédia e feito de forma hábil, estando Rockwell no seu epicentro, dominando a película com a sua capacidade de representação. Angelica Huston desempenha a mãe de Victor, incapaz de ser mãe que um rapaz precisava, incapaz de o soltar quando ele precisou, acaba por ser a causa da vivência espectral de Victor, que parece apenas vaguear pela vida, sem a conseguir enfrentar. Os sentimentos que desenvolve por Paige (Kelly Macdonald) dão-lhe o desconforto necessário para se aperceber da letargia em que se encontra, assegurando-lhe que a não é um caso isolado.
Conhecendo o livro, fico com a ideia que a história tinha muito mais por onde pegar, vários meandros por onde poderia desenvolver-se, no entanto, vou tentar ficar por aqui, para não incorrer no tal erro da comparação.
Curiosidade imdb: O homem sentado ao lado de Victor no avião, na cena final, é Chuck Palahniuk o autor do livro.
Curiosidade imdb: O homem sentado ao lado de Victor no avião, na cena final, é Chuck Palahniuk o autor do livro.

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