1987
Acção/Sci-Fi
99 minutos
Steve De Jarnatt (realização)
Michael Almereyda (guião)
“You are not ‘gonna’ find anybody better than me, Mister.”
Edith E. Johnson
Estive tentado a não actualizar mais o blog, afinal como é que poderia continuar depois de Masters of the Universe? O canal mov da tv cabo deu-me a resposta, com outro filme saído da década de 80. Outro filme que rapidamente atingiu um estatuto de culto, não por ser uma obra de arte, mas por todo o imaginário circundante. E é verdade, outro filme saído de 1987, ano fértil. Para os que como eu aderiram ao boom dos clubes de vídeo durante os anos 80, este é um daqueles filmes que começa com o logo da Orion, outra produtora já extinta, à imagem da Cannon do filme anterior.
Cherry 2000 (1987) de Steve De Jarnatt, é um tipíco B-movie, feito para agradar a um público menos exigente a nível cinematográfico. Trata-se de uma obra clara de exploitation, onde as explosões, mortes e mulheres atraentes e perigosas dominam toda a acção. No filme, Sam (David Anrews) procura substituir a sua Cherry 2000, uma mulher robot que o preenche e completa em todos os campos, depois desta sofrer um curto-circuito. Para a conseguir substituir terá de viajar até aos confins da ‘Zone 7’, uma wasteland dominada pelos gangs. Para levar acabo a sua missão contrata Edith E. Johnson (uma Melanie Griffith belíssima, ao contrário daquilo que é hoje) uma tracker, que o guiará até uma soterrada Las Vegas na procura de uma réplica da sua Cherry.
Realce para o vilão Lester (Tim Thomerson), um vilão insano que ao mesmo tempo consegue ter um lado nonsense encantador; assim como Six-Fingered Jack interpretado pelo grande Bem Johnson, vencedor de um Oscar pelo seu papel em The Last Picture Show (1971) de Peter Bogdanovich; de notar também um cameo de Larry Fishburne, agora Lawrence Fishburne (como advogado que intermeia relações sexuais), o Morpheus de The Matrix (1999) dos irmãos Wachowski.
Cherry 2000 mostra-nos uma sociedade onde o contacto entre humanos é reservado/proibido, sendo o sexo um acontecimento circunscrito, tratado como um bem e transaccionado com o recurso a advogados especializados. Os robots fazem parte do dia-a-dia, ocupando o vazio existente, levando o Homem a esquecer as relações humanas, criando laços vazios de significado maior. Embora o ano fosse o de 1987, De Jarnatt consegue veicular bem esse aspecto, que nos dias de hoje é gritante, cada vez mais nos isolamos com recurso à tecnologia, limitando o contacto humano, quer por comodismo, quer por medos excessivos (veja-se a ‘febre’ criada pela gripe A).
No final Sam percebe que é preferível optar por E. em detrimento de Cherry, claro que uma mulher que conduz um Mustang, dispara todo o tipo de armas, desde pistolas a bazucas, e que tem um cabelo cor-de-laranja deslumbrante, é bem melhor que qualquer sex toy.
À imagem do poster do filme anterior, este também é uma daquelas jóias dos anos 80, daqueles que dá vontade de ter a VHS (eu por acaso ainda a tenho), nada destas capas recentes, vejam e comparem. Mesmo sendo evidente que no poster original algumas coisas não batem certo, vejam bem o (suposto) braço de Melanie, autêntico Stallone.
Não esqueçam, claro, que (ainda) estávamos em 1987.
Capa da versão DVD, já sem o encanto do original.


1 comentário:
Este filme é espectacular! Também faz parte do meu imaginário infantil. Adorei mesmo. Em português... "A Boneca Mecânica".
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